Monday, November 28, 2005

Carta ao Sr. Ministro da Justiça

Face às opiniões do Exmo. Sr. Ministro a Ilustre Advogada Dra. Isabel Duarte escreveu a carta que de seguida se expõe e se nos afigura de total importância e reveladora dos sentimentos que assolam (ou deviam assolar) a classe dos Advogados. Com autorização da autora.
"
Lisboa, 22 de Novembro de 2005
Exmº. Senhor Ministro da Justiça,

Obediente à maioria, interpretei, por omissão, o sentir comum e ausentei-me do VI Congresso dos Advogados Portugueses, antes que me visse obrigada a reconhecer, in loco e em V.Exa., o Homem que o Bastonário Rogério Alves referiu na sua inspiradora e inspirada entrevista do final da manhã imediatamente anterior ao encerramento do referido Congresso.
Como Advogado também, além de infalível Ministro, beneficia V.Exa., da obrigatória margem de erro que deve ser outorgada a todos os oficiais deste, como de outros, ofícios. Como Ministro, já não sei, por não saber se o ser Ministro é, hoje em dia, sequer, um mister.
Considerando tal dúvida, vejo-me obrigada a responder-lhe, por esta via, à ofensa que V.Exa. me fez - como a todos os Advogados - quanto ao exercício da Advocacia pro bono, que me dispuz a exercer, desde sempre - e já lá vão 25 anos de profissão encartada.
Quem, é de supor, lhe terá dado informação privilegiada e tecnicamente abalizada, a propósito da indigência, falta de inteligência, conhecimentos e dedicação, com que nós, Advogados, desempenhamos a oficiosidade, terão sido, entre outros, alguns Magistrados seus conhecidos.
Se assim for, leve V.Exa., por favor, em conta, que tal “indigência” é muito querida de alguns integrantes das Magistraturas, ao contrário do que publicamente declaram. Na verdade, ela, quando se verifica, facilita-lhes a vida, na relação com os “indigentes” como na relação com os restantes, os considerados “bem pagos”. A propósito peço-lhe que recorde a entrevista do Dr. António Cluny ao Rádio Clube Português na própria sexta-feira em que interveio no referido Congresso. Esse apriorismo permite apoucar e efabular a propósito da função maior que é a nossa, do seu significado e consequências, da sua razão de ser num regime democrático, como numa ditadura. Na verdade, quanto mais “indigentes” formos, ou disso formos apelidados, quer dos pontos de vista intelectual, cultural ou financeiro, nestes futebóis em que andamos infelizmente metidos, mais razão têm os ponta de lança para dispensarem a bola…
É também um facto que a oficiosidade mal desempenhada - ou assim apelidada - convém ao Governo - mas não ao Estado, já se vê - que, por isso, justifica o pagamento (??) humilhante, por escasso e a desoras, dos serviços que os Advogados, em seu nome, prestam a quem deles precisa.
É que, fosse a oficiosidade paga como merece a profissão trucidante que desempenho, subiria a consciência dos utentes, subindo a consciência dos utentes, subiria a exigência dos prestadores, subindo a exigência dos prestadores, estaria o Governo em maus lençóis, situação em que, infelizmente, o Governo nunca se sentiu, perante esta nossa Classe Profissional desorganizada, palavrosa e pobre, cada vez mais pobre, logo, menos corajosa, para enfrentar quem, como V.Exa., a agride, perseguindo medíocres interesses economicistas.
Finalmente, há que perguntar se, sendo nós, os Advogados, tão mal formados, de quase todos os pontos de vista - aparte a excepção dos corpos bem lançados de alguns dirigentes máximos e fautores de opinião - como é que V.Exa. nos quer agora para funcionários, a partir dessa nova ordem que pretende instaurar, tão politicamente correcta, que até faz doer a alma dos mais avisados? Suponho que nos irá pôr a trabalhar para as Autarquias, como fizeram os seus antecessores com os Julgados de Paz. Mata a manada toda de uma cajadada. E faz muito bem. Pela forma como o tratámos no nosso VI Congresso, não merecemos mais.
Por mim, saiba que não me apanhará nas malhas do funcionalismo público. Prefiro trabalhar de borla, que trabalhar para si.
Cumprimentos, "

Os meus cumprimentos à autora.

Friday, November 18, 2005

Bonita Calçada

Papel no chão,
Flor na calçada
Lá vai a senhora toda bem arranjada,
Suas bolachas degustando
Ao chão o pacote atirando.

Passo a passo
Vai a estúpida passeando
Com os papeis do rebuçado,
Embrulhados bem embrulhados,
Em cima da caca atirando.

Mais atrás lá vem o incauto,
Enquanto do lixo se vai esquivando,
Vem andando sonhando,
Enquanto a beata vai atirando.

O caixote está já ali
Mas pesa na mão o papelinho
O varredor há-de vir aqui
É só mais um no caminho.

Tem neste país a fama,
A bonita calçada,
Mais bonita seria
Se a porca fosse multada.

Thursday, November 10, 2005

CONTOS DO FEUDALISMO - II

Na Florida (ou Flórida, conforme melhor vos parecer) desapareceu uma cidade, de seu nome Nova Orleans, cabeça de uma região então adquirida, por escritura pública e tudo, pela nova república à potência colonial em exercício, já debilitada e cansada da marselhesa!

Em Paris (região), até faz pouco, estava tudo do avesso, as ruas com espaço, pois que ninguém se atrevia a estacionar os respectivos veículos, mesmo que em frente da esquadra do bairro!

As elites, as da informação incluídas, de um dia para o outro, mais concretamente de 09 para 10 de Novembro do ano civil em curso, que é o da graça de 2005, deixaram de informar do que quer que fosse, aplaudindo, do Bçouco ao Partido Nacionalista da Pita da Região que lhe coube em sorte, a coragem gaulesa do cavalheiro que chia!

Hoje, nada se passa e, sobretudo, nada aconteceu!

Cientes de que só são poder na medida em que dão notícia, os técnicos dos média preocupam-se com o campeonato da 1ª desportiva, de todas a mais rasca, mas que forma o discurso dos que dão à pena e à língua!

Execram, naturalmente, a festa brava, pois que sendo o discurso dela muito mais erudito, teriam de ter lido o Ernesto Hemingway, na versão original de “The dangerous Summer”!

Donde, de forma clara, os média não são o 5º poder! São, apenas, um dos condes do estado feudal deste chiqueiro à beira d’água existente!


Boa noute!

Monday, October 31, 2005

CONTOS DO FEUDALISMO - I





O Licenciado, Senhor Lâmpada – presidente em exercício -, após um digno concurso eleitoral, ao qual também se apresentaram os Lics. Senhores/as Vela, Camping e Castiçal de Baixo, ganhou, com fogo de artifício e tudo.

Mais uma vez com maioria absoluta, ciente de ter congregado as forças vivas do concelho, descontraiu, dizendo, alto e a bom som: “eu bem vos disse, meus, perdão povo meu, amor ardente, que bem conheço Camões”!

Os funcionários - do quadro, assessores e outros -, tremeram!
Uns, de excitação! Outros, de receio!
Todos com “frisson”, com arrepio, pois que, mesmo entre os do quadro que eram do clube, nenhum sabia quem viria a ser promovido; qual os dos de “a recibo verde” passaria ao quadro, ou qual, de entre todos, seria colocado à porta, a mendigar o lugar, sem sequer um louvor publicado na III série do jornal oficial!

O Chefe da Secretaria-geral – à beira da reforma e suando, funcionário desde vai para quarenta anos -, convocou os do quadro e os outros, e disse-lhes:

- Minhas Senhoras, Cavalheiros, Colegas:
Os que não são do quadro, se o não são é porque, atempadamente, da pintura não cuidaram!
Os que são do quadro e têm borrado a pintura, contam com a inspecção!
A Lei é geral e abstracta, mas deve, em concreto, ser aplicada conforme ao interesse público, cujo é o da interpretação do Senhor Dr. Lâmpada, filho ilustre do Dr. Filamento, o qual, como ele agora é, foi Presidente desta Câmara.
Porque eleito pelo povo, o Dr. Lâmpada tem a legitimidade suficiente e necessária para a interpretar, à Lei, de acordo com o interesse público, mas de forma geral e abstracta, pois que isto é um estado de direito.
Façam como melhor vos parecer, a bem do bem público, e iluminadamente!
Não esqueçam as vossas funções e as taxas a cobrar!
De preferência não facultem fotocópias, mesmo que os interessados as queiram pagar, pois de nada lhes serviria ler o que do processo consta, já que, quando escrevemos, informamos e os nossos maiores despacham, o que conta é o interesse público!
A nossa função é velar pelo interesse público, sem pensarmos em nós, que fazemos parte do público, já que é em função deste conceito, deste desenho, que somos quem somos, servindo-o, ao interesse público, com humildade, isenção e à vista de toda a gente!
Quem aqui vem bater à porta, ou bem que representa o interesse público, ou é utente!
Sendo nós servidores do interesse público, a prioridade é a de atender os que o representam, e agendar a audiência do utente conforme ao interesse público, pois que o utente apenas representa o seu interesse particular, por isso que não público, sem relevância geral e abstracta, conforme ao interesse público que servimos e que nos justifica, já que a lei é geral e abstracta!




(ouvem-se aplausos, vozes desenfreadas de apoio, batuques e gaitas …, estes, os batuques e as gaitas, interpretados pelo rancho dos amigos das freguesias da alta do concelho de “Hás de ver a Luz, de cima”!)




Asdrúbal Ortiga havia penado, já lá vão uns largos anos – era, então, presidente o pai do Lic. Lâmpada, o Dr. Filamento -, para apresentar à Câmara, devidamente instruído, o projecto para adequar à nova legislação o estabelecimento de comidas e bebidas que lhe havia calhado na herança de seu pai, que, por sua vez, o havia recebido de seu avô.

Após um complicadíssimo processo, e sem que a Câmara tivesse comunicado aos competentes serviços que a Rua do Pestana de Baixo, conforme deliberação do competente departamento de onomástica, passara a dar pelo nome de Rua de João Pestana de Cima, o Sr. A. Ortiga faleceu tranquilo, já que o alvará que lhe fora outorgado em vida, não só confirmava a adequação do estabelecimento ao fim que vinha “d’antanho”, como também certificava que as obras, por ele executadas, tinham sido as adequadas ao cumprimento da legislação que havia fundamentado o despacho, do qual resultara o mandado para as levar a cabo, sob pena de, imediatamente, a autarquia tomar posse administrativa, nos termos da lei em vigor!

Havia cumprido a lei, gasto um ror de dinheiro, e tudo conforme à vistoria que lhe impusera a obra, em nome e no interesse do público, da higiene e da saúde da circunscrição!

António Ortiga, seu filho e único herdeiro, já que Asdrúbal se havia finado viúvo e sem outros filhos que não este, honrou a casa de seu pai e continuou o negócio, tranquilamente!


Eis, senão quando!


(continua)

Monday, October 17, 2005

O SENTIDO DA VIDA, DCMXLIII

OS SONS E OS ESPAÇOS:

http://www.bozzetto.com/neuro.htm

Thursday, October 13, 2005

Um Estranho País

Recebi um mail com o seguinte conteúdo:
"Existe um país onde um cidadão de 81 anos depois de ter cumprido 10 anos de
mandato como Presidente da República e de ter estado 10 anos de molho
decide candidatar-se novamente para salvar o país de um fantasma, passando
por cima de um amigo de longa data.
Existe um país onde três candidatos autárquicos com fortes probabilidades
de vencer estão indiciados por processos fraudulentos e uma outra candidata
a candidata com mandato de prisão emitido e foragida no Brasil, tem toda a
cidade a aguarda-la tal qual D. Sebastião.
Existe um país onde o único escritor galardoado com o prémio nobel da
Literatura vive no país vizinho.
Existe um país de onde é oriundo aquele que é considerado o melhor
treinador de futebol da actualidade, cujo seleccionador nacional é
estrangeiro.
Existe um país onde o maior sucesso nacional do
ano é um disco de originais de um músico que morreu há quinze anos.
Existe um país onde os dois guarda-redes da selecção nacional são suplentes
de dois guarda-redes da mesma nacionalidade nos respectivos clubes.
Existe um país onde o nome da mascote do principal evento desportivo
alguma vez organizado começa por uma letra (k) que não faz parte do seu
alfabeto.
Esse país estranho é o meu país.
Esse país só gosta dele próprio e da sua bandeira quando vem alguém de fora
jurar a pés juntos que somos bons."
Este estranho país é, também, o meu.

Dic. Ilustrado

Calçada Portuguesa

Ceuta, Melilla e a 3ª Lei de Newton

Segundo o artigo publicado no Público de 13 Out. de 2005, página 21, sob título “ 30 mil a caminho de Ceuta e Melilla” , o Comissário Europeu para a imigração espera a concentração de 20 mil emigrantes, que se juntarão a outros 10 mil, junto das referenciadas fronteiras. Segundo as mesmas fontes, tal concentração de “pateros” deve-se ao previsto reforço da segurança daquelas fronteiras que são a via para a Europa.
Ensina Newton, na sua 3ª Lei sobre o movimento, que para cada acção existe uma igual (em força) e oposta (em direcção) reacção. Facto incontornável e universal, nunca tido em conta pelos senhores do mundo.
Solução preconizada? “que seja debatida a questão do reforço das fronteiras” ( Franco Frattini). O mesmo é dizer: debata-se a o combate aos sintomas, sem procurar resolver as causas. Solução tão em voga na medicina moderna e no pensamento liberal. O mesmo é dizer: aumentem os muros que nos separam, o arame farpado que nos cerca e o fosso entre pobres e ricos.
Os senhores do mundo, protegidos pelo Capital sem nação ou moral ( como é da sua natureza), continuam a querer esquecer que aqueles milhares estão prontos a deixar e a arriscar tudo pois nada têm. E se nada têm, tal se deve às políticas preconizadas pelas nações evoluídas sentadas no topo da sua OMC e das dívidas externas dos pobres que tão bem maquinaram. Por exemplo, o Gana, grande potência agrícola em potência, está, por aqueles senhores, proibida de ajudar e subsidiar os seus agricultores que já tiveram muito e agora não têm nada, já nós, os “desenvolvidos e ricos”, continuamos a subsidiar os nossos, permitindo assim que se exporte para o Gana tudo aquilo que a “nós” nos dá dinheiro e a eles não lhes faria falta.
Dizia um soldado americano em Falluja: “ se aqui houvesse um MacDonalds em cada rua não haveriam estes problemas “. Que bela visão do mundo.
Conselho (sempre gratuito): atentem nas leis de Newton.

Wednesday, October 12, 2005

DICIONÁRIO ILUSTRADO



der SCHUHMACHER (substantivo do género masculino)








SAPATEIRO (idem)

DICIONÁRIO ILUSTRADO







FELGUEIRAS (concelho do distrito do Porto)









FÁTIMA (freguesia do concelho de Vila Nova de Ourém, do distrito de Santarém)

DICIONÁRIO ILUSTRADO


JARDIM (substantivo do género masculino)








Der GARTEN (idem)

O sentido da vida - Capítulo CXIV!

The Meaning of Life - Part I

História de 2 aeroportos

Recebi um mail com o seguinte conteúdo:
"Áreas: Aeroporto de Málaga: 320 hectares, Aeroporto de Lisboa: 520 hectares. Pistas: Aeroporto de Málaga: 1 pista, Aeroporto de Lisboa: 2 pistas. Tráfego (2004): Aeroporto de Málaga: 12 milhões de passageiros, taxa de crescimento, 7% a 8% ao ano. Aeroporto de Lisboa: 10,7 milhões de passageiros, taxa de crescimento 4,5% ao ano.
Soluções para o aumento de capacidade: Málaga: 1 novo terminal, investimento de 191 milhões de euros, capacidade 20 milhões de passageiros/ano. O aeroporto continua a 8 Km da cidade e continua a ter uma só pista. Lisboa: 1 novo aeroporto, 3.000 a 5.000 milhões de euros, solução faraónica a 40Km da cidade. É o que dá sermos ricos com o dinheiro dos outros e pobres com o próprio espírito. Ou então alguém tem de tirar os dividendos dos terrenos comprados nos últimos anos. Ninguém investiga isto? É preciso fazer alguma coisa. Pelo menos divulguem, ou faremos parte de "Otários" silenciosos"
Realmente faz lembrar a outra história: A História dos 10 Estádios.